Diretriz Europeia de Hipertensão: Mudanças e Impactos no Diagnóstico e Tratamento
A nova diretriz europeia de hipertensão trouxe mudanças significativas na classificação da pressão arterial, impactando diretamente a forma como os profissionais de saúde realizam diagnósticos e acompanham pacientes. Essas mudanças podem influenciar não apenas a prática clínica, mas também a organização dos sistemas de saúde ao redor do mundo, incluindo o Brasil.
Nova Classificação da Hipertensão Arterial
Anteriormente, a diretriz europeia adotava uma classificação semelhante à brasileira, dividindo a pressão arterial em categorias como ótima, normal, pré-hipertensão (ou pressão elevada), e os três estágios de hipertensão. Contudo, essa abordagem foi completamente reformulada. Agora, a classificação se resume a:

Essa nova divisão simplifica o processo diagnóstico e amplia a faixa de pacientes enquadrados na categoria de “pressão elevada”, o que pode resultar em um maior acompanhamento preventivo.
Referências para MAPA e MRPA
A diretriz também redefiniu os valores de referência para os métodos de automonitorização da pressão arterial:
MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial):
– Pressão não elevada: menor ou igual a 120/70 mmHg.
– Pressão elevada: entre 120-134/70-84 mmHg.
– Hipertensão: maior ou igual a 135/85 mmHg.
MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial – Pressão Diurna):
– Pressão não elevada: menor que 120/70 mmHg.
– Pressão elevada: entre 120-134/70-84 mmHg.
– Hipertensão: maior ou igual a 135/85 mmHg.
Comparando com a diretriz brasileira, destaca-se que a definição de hipertensão na MRPA e MAPA pela diretriz europeia utiliza um limiar maior (135/85 mmHg), enquanto a diretriz brasileira considera 130/80 mmHg. Essa diferença pode impactar a identificação precoce da condição em nosso país.
Novos Critérios para Diagnóstico
A avaliação diagnóstica também sofreu alterações importantes. Agora, para confirmar hipertensão, a diretriz sugere:
1. Pressão entre 140-159/90-99 mmHg: Recomenda-se a realização de MAPA ou MRPA para confirmação.
2. Pressão entre 160-179/100-109 mmHg: MAPA ou MRPA devem ser realizados em até um mês para confirmação.
3. Pressão maior ou igual a 180/110 mmHg: O diagnóstico deve ser feito com medições repetidas em consultório, evitando a espera prolongada por exames complementares.
Essa abordagem reforça o uso de MRPA e MAPA para diagnóstico, alinhando-se às recentes diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre aferição da pressão arterial.
Uso de Aparelhos Automáticos
A diretriz europeia reforça a aceitação do uso de aparelhos automáticos oscilométricos para medição da pressão arterial, desde que sejam validados por órgãos reguladores, como o INMETRO no Brasil. No entanto, há uma ressalva importante: pacientes com **fibrilação atrial** não devem utilizar esses aparelhos, pois a variação dos batimentos prejudica a precisão da leitura. Nestes casos, recomenda-se a medição convencional com esfigmomanômetro.
Impacto na Prática Clínica e na Saúde Pública
Essas mudanças podem gerar um impacto substancial no acompanhamento de pacientes, pois a nova classificação aumenta a quantidade de indivíduos diagnosticados com pressão elevada. Isso pode levar a:
– Maior demanda por exames complementares como MAPA e MRPA.
– Aumento na procura por consultas e tratamentos preventivos.
– Possíveis desafios no acesso ao sistema de saúde, especialmente no SUS.
Ainda não há uma definição sobre como a diretriz brasileira irá reagir a essas mudanças, mas é possível que ajustes sejam realizados para adequação à nova realidade.
Conclusão
A nova diretriz europeia de hipertensão simplifica a classificação da pressão arterial e reforça a importância do uso de MRPA e MAPA para diagnóstico. Com isso, um número maior de pacientes pode ser enquadrado na categoria de pressão elevada, aumentando a necessidade de acompanhamento médico. As mudanças também impactam a prática clínica no Brasil, exigindo uma adaptação dos protocolos nacionais para garantir a melhor estratégia de cuidado.

Cláudio Caires:
Responsável pelo Portal CMS, Dir. Caires Emergência & Treinamentos, Comunicólogo Social & Institucional, Instrutor de Socorros e Resgates, Técnico de Segurança do Trabalho, Instrutor Bombeiro Profissional Civil, Profissional Resgatista Rodoviário.

